Primeiras impressões: Volkswagen Saveiro Cross cabine dupla

Primeiras impressões: Volkswagen Saveiro Cross cabine dupla

Primeiras impressões: Volkswagen Saveiro Cross cabine dupla

Pela primeira vez em 32 anos de vida, a Volkswagen Saveiro terá uma versão cabine dupla, que chega às lojas no começo de setembro em três versões (Trendline, Highline e Cross), com preços entre R$ 47.490 e R$ 59.990.

O desenvolvimento é a aposta da Volkswagen para tirar clientes da Fiat Strada, que é líder há 14 anos entre as picapes pequenas, com 87,8 mil unidades emplacadas de janeiro a julho de 2014.

Embora tenha diferenciais positivos, como lugar para cinco pessoas e sistemas eletrônicos mais sofisticados, a tarefa é complicada.

Para desbancar a rival do trono, a Saveiro precisa mais que dobrar suas vendas – foram 41,6 mil no acumulado do ano, segundo dados da Fenabrave, que reúne os concessionários.

De acordo com a fabricante alemã, as cabines duplas representam 28% do segmento e a Strada Adventure reinava sozinha nesta fatia desde 2009, quando foi lançada.

Passeio ou tortura
O G1 experimentou o modelo topo de linha (Cross) em um trecho de cerca de 70 quilômetros entre São Paulo e Americana, no interior do estado.

O conforto para motorista e passageiro não é muito diferente de um carro de passeio, e a ergonomia ganhou com ajustes de altura e profundidade para volante e banco do motorista – detalhes que chegam agora ao modelo.

O mesmo não pode ser dito para quem vai atrás. Embora seja um problema das picapes pequenas, não da Saveiro especificamente, os passageiros traseiros sofrem com a posição do encosto, mais reto do que em um automóvel, e com a pequena distância do banco dianteiro.

Diferentemente da Fiat, que “inovou” com uma terceira porta para facilitar a entrada dos passageiros, a Volkswagen preferiu não “inventar” e manteve o modelo com duas portas. É preciso ter o mínimo de flexibilidade para entrar na fileira traseira, mas nada muito diferente de um Gol duas portas – segundo a fabricante, é exatamente a mesma abertura.

Levar três pessoas atrás também pode ser usado como “instrumento de tortura” em longas viagens e trechos sinuosos, por exemplo, nas estradas do litoral brasileiro. Mas com duas pessoas não é tão ruim.

Ajudam a aliviar o desconforto a posição mais elevada em relação aos bancos dianteiros (quase 10 centímetros) e a janela basculante (o vidro traseiro não tem abertura), mas é difícil encontrar uma posição menos ereta com a inclinação de apenas 18 graus do encosto.

Truque
Para deixar espaço razoável a uma pessoa de 1,80 metro de altura, o teto da Saveiro foi elevado em 4 centímetros. A alteração fica quase imperceptível com os novos racks que escondem a elevação na linha lateral da picape. Visualmente, ela mantém o mesmo conceito esportivo e jovem, que faz da versão Cross a responsável por 32% das vendas.

Desempenho
Na versão topo de linha, a Saveiro é equipada com motor 1.6 litro, de 120 cavalos de potência, enquanto as duas mais simples levam o bloco antigo de mesmo tamanho, mas 104 cv. Na estrada, o propulsor mais potente é suficiente para deixar a Saveiro ligeira nas retomadas e com boa aceleração.

Segundo a Volkswagen, a velocidade máxima é de 174 km/h (com gasolina) e de 177 km/h (etanol), enquanto a aceleração a 100 km/h é feita 10,6 segundos e 10,1 segundos, respectivamente. Se o desempenho agrada, o barulho na cabine nem tanto, ficando mais intenso perto de 4 mil rotações por minuto.

O volante multifuncional revestido de couro é outro detalhe que vem dos carros de passeio. A direção hidráulica (de série para todas as cabine duplas) é adequada para baixas velocidades, no entanto fica muito mole para uma situação de estrada livre. Outro ponto positivo é a suspensão, calibrada para absorver bem os impactos de buracos.

Novas tecnologias
Pela primeira vez também, a Saveiro vem com controle eletrônico de estabilidade (ESC) e de tração (ASR), além de freios ABS com função off-road e assistência de partida em rampa – tudo apenas para a versão Cross. Em um trecho de pista de terra batida, o utilitário foi testado ao lado de uma unidade sem as tecnologias (veja vídeo ao lado).

A função off-road também foi experimentada. Ao acionar o botão no painel, o pedal do acelerador fica mais rígido instantaneamente. Em uma freada brusca, o sistema do ABS trabalha em conjunto com o ESC provocando leve travamento da roda para criar “montinho” de terra à frente do pneu e reduzir o espaço de frenagem. Na prática, a sensação é de tranquinhos leves no carro e no pedal do freio.

O bloqueio eletrônico do diferencial ajuda em situações de baixa tração, transferindo torque para a roda melhor posicionada. O auxílio atua o tempo inteiro automaticamente em curvas e velocidades de até 80 km/h. Na Strada, o sistema similar é chamado de Locker e é opcional mesmo na topo de linha.

Potencial para esquentar briga
A picape da Volks agora tem potencial para equilibrar o “jogo” que a Strada está ganhando. Como diferencial, aposta na certificação para cinco ocupantes (enquanto a Fiat tem espaço para 4), freios a disco nas quatro rodas para todas as versões e novas tecnologias de segurança.

O nível de equipamentos da Cross também se destaca, com ar-condicionado, rodas de 15 polegadas “all-terrain” (tipo misto, para terra e asfalto), sensor de estacionamento e capota marítima com ganchos deslizantes.

Por R$ 59.990, essa versão fica cerca de R$ 3,5 mil mais barata que a rival com o mesmo nível de opcionais. Como pontos negativos, pesam o volume da caçamba 100 litros menor e a ausência da terceira porta, que pode não ser a solução definitiva, mas facilita o acesso.

Fonte: Auto Esporte

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