Estádios devem gerar US$ 2,5 bi em seguros

Estádios devem gerar US$ 2,5 bi em seguros

 

SÃO PAULO – O seguro estimado para obras de reformas, construções de estádio e os jogos da Copa do Mundo no Brasil podem gerar receitas na casa de US$ 2,5 bilhões às seguradoras que atuarão no evento. Segundo Rodrigo Belloube, executivo da Munich Re, o preço dos seguros para o evento será 50% menor do que o cobrado na África do Sul.


A estimativa da empresa é que Copa naquele continente demandou coberturas de riscos de US$ 5 bilhões. “A previsão é que entre obras de estádio e de infraestrutura sejam gastos R$ 50 bilhões em estádios, malha de mobilidade urbana e metroviária. A expansão dos aeroportos deve gerar investimentos de mais R$ 3 bilhões até 2014.”

O motivo apontado pelo executivo para tamanha diferença não estaria nos riscos, mas sim, na abertura do mercado de resseguros no Brasil. “A Copa está com um viés bem comercial.”

Questionado se a matriz aceitaria preços defasados, o executivo ressaltou “que de jeito nenhum. A Munich é uma empresa relativamente pequena dentro do mercado brasileiro. O nosso foco é resultado. Não buscaremos volume”, destacou.

Belloube disse que o foco da empresa é atuar na Copa junto com as parceiras para ter precificação técnica e sustentável no longo prazo. “Não vamos comprar mercado para distorcer o setor de resseguro brasileiro.”

Destacando que “todo mundo quer fazer negócios com o Brasil”, o temor do executivo é que o mercado sofra com uma pressão de redução de preços por conta de muita oferta para pouca demanda. “Queremos manter o mercado. O mercado tem de ser equilibrado”, reforçou.

Ao DCI, Belloube revelou que o grande mercado de resseguro não está na Copa e Olimpíadas, mas sim, nas grandes obras de infraestrutura de petróleo e estruturas de offshore e estaleiros. “O segundo setor mais importante é o de distribuição de energia. As duas pontas são as principais pontas de investimentos do Brasil para os próximos quatro anos”.

Segundo perspectivas da Associação Brasileira das Empresas de Resseguro (Aber), o faturamento do setor para 2010 ficará em linha com o registrado em 2009, que foi de US$ 2 bilhões. A entidade estima ainda que o Brasil represente 1% do mercado global de resseguros, estimado em US$ 200 bilhões. A entidade informa que as dez maiores seguradoras do mundo, que respondem por 50% do mercado mundial, estão inscritas no Brasil.

A projeção do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) aponta que o número de empregos diretos na indústria naval brasileira passou de 40 mil em 2009 para 78 mil até agosto. Dados do Sinaval apontam ainda que a carteira de pedidos nos estaleiros nacionais até 2014 vai passar de 300 embarcações.

Outro dado que mostra a força do setor é que a Petrobras divulgou que o consumo médio de gás natural no Brasil bateu recorde em setembro, até o dia 14, com 77,6 milhões de metros cúbicos por dia. No dia 9 de setembro aconteceu o pico de consumo, também recorde, com 83,9 milhões de metros cúbicos, conta que inclui os mercados térmico e não térmico.

O executivo da Munich destacou ainda que o investimento previsto pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é outro grande nicho para seguradoras e resseguradoras. “O governo fala de investimentos na casa de R$ 950 bilhões em investimentos entre 2011 e 2014. Claro que devemos olhar a cifra com certa ressalva, pois é um número de véspera de eleições.”

Outra ressalva, de acordo com ele, é excluir o financiamento para programas de habitação. “O razoável é pensar em números na casa de R$ 750 bilhões para quatro anos. O Brasil cresce, enquanto o resto do mundo passou por uma crise e tem incertezas quanto a recuperação.”

Para abocanhar mercado, a Munich trouxe executivos de outros países para oferecer soluções para o Brasil. “Eles falam português. Na maior expansão de malha rodoviária do País, temos o resseguro de 90% do risco. Em uma das usinas do complexo do Rio Madeira, temos uma porcentagem de 35%.”

Quanto à capacidade financeira do grupo para ressegurar as obras no Brasil, o executivo disse não ter limite predeterminado. “Depende da característica de cada risco e da formação do portfólio. O Brasil não apresenta grandes riscos como furações, terremotos e outras intempéries.”

Para ele, o maior risco do Brasil são acidentes em grandes obras. “Ainda não temos fenômenos de destruição de rodovias inteiras como o que aconteceu, recentemente, no Chile.”

Belloube contou que a capacidade do Brasil é tão grande quanto a de qualquer país do mundo. “A capacidade depende da análise do risco da carteira.”

Saúde

A quebra do monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil RE) é apontada pelo executivo de Vida e Saúde da Munich, Edgar Kataguiri, como ponto fundamental para o desenvolvimento do setor no Brasil.

Kataguiri disse ao DCI que as seguradoras de vida no Brasil, agora podem escolher a resseguradora que vai atuar. “O grande diferencial que a seguradora ganha é o serviço que ela ganhará da resseguradora, principalmente na área de vida.”

Ele conta que antes da quebra do monopólio, as seguradoras não escolhiam as melhores taxas.

Fonte : DCI – Fernando Teixeira

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