Brasileiro abre site de aluguel de carros direto do proprietário na França

Brasileiro abre site de aluguel de carros direto do proprietário na França

Brasileiro abre site de aluguel de carros direto do proprietário na França

Lúcia MüzellBrasileiro Guilherme Bulaty fez estudos no Estados Unidos, onde já tinha tentado a experiência de compartilhamento de veículos.

 

Em meio a uma crise econômica que já dura seis anos e custa a ficar para trás na Europa, os franceses têm cada vez menos tabus para entrar de cabeça no chamado consumo colaborativo. A nova alternativa agora é deixar o próprio carro disponível para o aluguel, enquanto o dono viaja de férias. Um site, aberto por um brasileiro com dois sócios franceses, coloca proprietários e locatários em contato e arca com as garantias necessárias para que o negócio não se transforme em pesadelo.

O Carnomise surgiu no ano passado e acaba de brindar as primeiras férias de verão com uma procura acima da esperada. O serviço não é uma novidade no país, mas este é o primeiro oferecido perto dos aeroportos de Paris, com foco nos milhares de turistas ou executivos que deixam ou chegam à capital francesa.

O primeiro passo é se cadastrar no site na internet, por onde são feitos os pagamentos. Os proprietários então marcam um horário para deixar o veículo na agência, que se encarrega de levar o cliente ao aeroporto, distante poucos quilômetros. Os locatários também são buscados e levados ao terminal, depois de alugar o carro da sua preferência, entre as quatro categorias propostas pela Carnomise. O catarinense Guilherme Bulaty, um dos fundadores, assegura que a economia é de 50% em relação a uma locadora tradicional.

“Qualquer viajante pode ser nosso cliente. Primeiro, os executivos que viajam por motivos profissionais, e depois as famílias que partem a turismo para outros países e deixam o carro conosco durante uma ou duas semanas”, observa. “A ideia é não deixar os recursos parados e tentar sempre otimizar a utilização deles, para que gerem atividade econômica.”

O carro pode ou não ser alugado – neste caso, o mínimo que o usuário tem a ganhar é a economia com o estacionamento no aeroporto, que custa de 80 a 150 euros por semana. A empresa oferece seguro com cobertura total para acidentes, uma garantia fundamental para conquistar a confiança dos clientes.

“Qualquer coisa que acontecer com o carro, seja um acidente, um incêndio ou um roubo, estará coberta por uma das maiores seguradoras da França. E fazemos uma vistoria bem mais minuciosa que as das locadoras comuns – chegamos a filmar todos os carros”, ressalta.

Seguro é a maior preocupação

Bulaty sabe que a preocupação com os eventuais estragos é comum, mas verifica que 95% dos clientes retornam para oferecer ou alugar um carro. “É a primeira vez que fazemos e gostamos do conceito. Não somente não nos custa nada como se alguém aluga, a gente ganha um dinheirinho, o que sempre cai bem quando já gastamos durante três semanas de férias em outro país”, comenta a francesa Jane, ao desembarcar no aeroporto Charles de Gaulle com a família e recuperar o carro, que foi alugado por 10 dias.

A família já é uma habitué da troca de casas durante as férias – escolhe um destino e, no outro país, procura a residência de uma família que queira ficar em Paris no mesmo período. Desta vez, o compartilhamento dos bens foi completo, ao incluir o veículo.

A empresária Norah afirma que examinou em detalhes as garantias para o aluguel e não pensou duas vezes antes de deixar o carro à disposição. “Tudo me caiu bem e eu me inscrevi, trouxe o meu carro e foi tudo tranquilo. É um dinheiro a mais que a gente pode gastar durante as férias ou depois. Não me custou nem um centavo e ainda ganhei dinheiro”, comemora.

Já a aposentada Laurence teve de vencer a desconfiança do marido, mas tem certeza de que quando o casal retornar das férias e receber uma “recompensa”, ele também vai gostar da ideia. “Para aceitar fazer isso, não pode ser nenhum apaixonado pelo seu carro. Para mim, um automóvel serve para andar e me levar de um ponto a outro”, diz. “Mas vários amigos me disseram ‘Meu Deus, que horror! E se houver um acidente?’, e eu respondi que não dou a menor bola, porque se acontecer, tem seguro completo incluído.”

Mudança de hábitos

A consultora Nathalie Damery, presidente do Observatório da Sociedade e o Consumo, destaca que nem sempre o uso de plataformas como o Carnomise é motivado somente pelo dinheiro. Ela constata que 50% dos franceses desejam consumir de uma outra maneira e ampliar o leque de opções além do comércio tradicional.

“Tem muitas pessoas, como essas que trocam carros, que têm um bom nível de vida, fizeram excelentes estudos, que lhes permitem ultrapassar a barreira do medo do outro. E essas práticas diferentes renovam a experiência do consumo”, comenta.

Para Damery, a legislação ainda é um empecilho para o desenvolvimento do setor em muitos países. Mas para a especialista, o número de start ups que incentivam o compartilhamento dos bens só tende a crescer. “Por trás destes negócios, há apenas profissionais. Atrás do AirBnB, do Blablacar e outros, só tem jovens empreendedores que acabaram de sair das grandes escolas de comércio e administração”, ressalta. “É um meio muito bem estruturado, com pessoas que sabem perfeitamente o que estão fazendo e têm uma excelente rede em torno delas.”

Bulaty, que morou nos Estados Unidos antes de se radicar na França, garante que ainda vai levar o serviço para o Brasil. “Primeiro vamos nos fortalecer na França, crescer para outros países da Europa, e espero que o passo seguinte seja dado no Brasil. Esse é o meu sonho”, afirma.

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LuzeAzevedo administrator

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