Baixa renda pode ter seguro residencial

Baixa renda pode ter seguro residencial

Baixa renda pode ter seguro residencialcom custo equivalente a 1% do salário
Pesquisador diz que dá para famílias pobres protegerem a casa com menos de 1% da renda

Pesquisa mostra que 42 mi de domicílios de famílias de baixa renda não têm proteção

Proteger a casa contra desastres naturais, incêndios ou algum tipo de acidente vai ficar cada vez mais acessível. Com menos de R$ 10 por ano será possível contratar um microsseguro. E, segundo especialistas, há um grande potencial de crescimento para esse mercado: são 42 milhões de domicílios de famílias de baixa renda do país que não têm nenhuma proteção.
Um estudo realizado pelo professor Luis Eduardo Afonso, da FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com Maria Pilar Varela Sepúlveda, mostra que dá para oferecer proteção residencial com preços menores do que 1% da renda de famílias que ganham pouco.
Para ele, o aumento da renda das classes C e D permite que essas famílias entrem no mercado de seguros. Em 2009, o setor cresceu 13% – mais que o dobro do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país). Os dois grupos são mais da metade da população brasileira, de 193 milhões de pessoas.
Em entrevista ao R7, o pesquisador afirmou que o microsseguro é uma ferramenta que une proteção social para as classes de baixa renda, ao mesmo tempo em que pode significar lucros para as seguradoras, que poderiam oferecer bons serviços a baixos preços. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Qual foi o principal objetivo do estudo?

O que a gente queria estudar neste trabalho é se haveria viabilidade para comercialização do microsseguro residencial no Brasil. Quando falamos de viabilidade, trabalhamos com dois conceitos. O primeiro é que ele tem que ser adequado às necessidades do público consumidor, isto é, tem que ter as coberturas e serviços específicos para esse grupo e caber no orçamento. É fundamental saber se esse público tem recursos para pagar os prêmios. A segunda questão da viabilidade se refere ao lado da oferta, ou seja, se o produto é atrativo para as seguradoras, se há um mercado suficientemente grande para ser atendido. As respostas a que nós chegamos a esse trabalho são positivas para ambas as perguntas.

Quanto pode custar um produto desse tipo?

Os prêmios a serem pagos pela população são bastante reduzidos, sendo inferiores a 1% da renda per capita [o valor da renda dividido por cada membro] das famílias. Fizemos a pesquisa envolvendo quatro faixas de renda, todas elas abaixo do valor determinado pela Susep [Superintendência de Seguros Privados], que define o microsseguro como um produto voltado para famílias de renda per capita com valores abaixo de dois salários mínimos [ou R$ 760 nos valores do mínimo de 2007, de R$ 380]. Nós dividimos em quatro faixas de renda per capita. Até um quarto do salário mínimo [R$ 95], de um quarto até meio [R$ 190], de meio a um [R$ 380] e de um até dois salários mínimos [R$ 760]. Em todas essas faixas o prêmio a ser pago é inferior a 1% da renda familiar bruta. Para todas essas faixas o prêmio parece ser adequado às necessidades das famílias. Na nossa faixa de renda, os preços dão menos do que R$ 10 por ano. Um seguro de R$ 40 é popular, mas ainda não é um microsseguro.

Qual é a estimativa de consumidores desse grupo?

Temos um mercado estimado de 42 milhões de domicílios, com potencial superior a R$ 1,452 bilhão (US$ 830 milhões) em prêmios. Sabemos que nem todos os domicílios serão alcançados, mas estes são números bastante atraentes para as empresas. Como todo produto, o que temos que olhar é o que o consumidor está pagando e o que ele tem em troca. Quais as coberturas oferecidas e qual o prêmio a ser pago para ter direito a isso. O mercado segurador no Brasil tem crescido a taxas maiores do que o próprio PIB [Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país]. E o microsseguro deve ter um potencial ainda mais elevado, principalmente tendo em vista a elevação da renda das classes C e D ocorridas nos últimos anos. Esses grupos passaram a ter acesso a uma série de produtos que antes estavam distantes. O caminho natural é que eles venham a demandar produtos de proteção como os microsseguros, e não só dos residenciais, mas de vida, seguros-funerais e do ramos agrícola, entre outros. No caso das empresas, também é importante pensar nos canais para atingir esse consumidor, porque muitos deles não têm conta em banco, não têm cartão de crédito, moram em regiões distantes. Há um mercado potencial expressivo, mas ele vai requerer serviços muito específicos das seguradoras para atingir esse público.

Fonte: Marcel Gugoni, do R7.Texto:   ..
Robson Fernandes/06.08.2010/AE

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