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Fórum da Longevidade Bradesco Seguros

Fórum da Longevidade Bradesco Seguros debate diferenças no envelhecimento de homens e mulheres

 

Desenvolver uma cultura de cuidados com a saúde que leve em consideração as diferenças entre homens e mulheres no processo de envelhecimento. Essa é a principal mensagem do IX Fórum da Longevidade Bradesco Seguros, que aconteceu hoje, 15 de outubro, São Paulo, com o tema “Caminhos e desafios de homens e mulheres rumo à longevidade”. “A Bradesco Seguros tem o compromisso de ajudar o Brasil a enfrentar um futuro com uma população mais longeva, construir um país mais experiente”, afirmou o presidente do Grupo Bradesco Seguros, Marco Antonio Rossi, ao abrir o evento.

Ao fazer um balanço do evento, durante coletiva de imprensa, o presidente da Bradesco Vida e Previdência e vice-presidente da FenaPrevi, Lúcio Flávio de Oliveira, e o presidente da Bradesco Saúde, Mediservice e da FenaSaúde, Marcio Coriolano, reforçaram pontos levantados pelos especialistas durante o período da manhã, em especial o autocuidado como elemento fundamental para garantir uma longevidade com qualidade de vida e bem-estar.

Para eles, a experiência adquirida nos fóruns realizados nos anos anteriores mostra que há outros tipos de impacto no processo de envelhecimento, além do meramente físico e financeiro. “Não podemos nos limitar à assistência e prevenção, precisamos tratar do cuidado como um todo, ao longo da vida do cliente”, explicou Lúcio Flávio, lembrando que as despesas com a saúde têm grande peso nas aposentadorias. E observou que, em média, uma pessoa gasta com saúde, nos últimos cinco anos de vida, tanto dinheiro quanto ao longo de toda a sua vida.

Segundo Lúcio Flávio, a proposta da Bradesco Vida e Previdência é justamente a de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de poupar para as idades mais avançadas: “Não basta uma boa rede de prestação de serviços, bons médicos, boa tecnologia médica. É preciso cuidado e autocuidado, questões comportamentais que vão muito além de a pessoa ser saudável. É preciso que ela seja também feliz”.

Já Márcio Coriolano lembrou que vivemos hoje três transições fundamentais: a demográfica, com a redução do crescimento populacional; a epidemiológica, com a transformação de doenças outrora fatais em doenças crônicas, como a AIDS e alguns tipos de câncer; e a tecnológica, com mais remédios de alto medicamento, e mais materiais e equipamentos médicos. “Tudo isso implica altos custos, e é importante que as pessoas tomem consciência e comecem a levar vidas mais saudáveis”, disse.

Dentro do objetivo de tratar de todo o ciclo de vida do cliente, a Bradesco Seguros busca criar produtos e serviços estruturados também em uma perspectiva dos dois gêneros, tema principal do Fórum da Longevidade deste ano, e ainda para todas as faixas etárias. Alexandre Nogueira, diretor de Marketing da Seguradora, lembrou que esse esforço da empresa inclui, entre outras iniciativas, o programa Porteiro Amigo do Idoso, que já treinou mais de 600 porteiros de edifícios nos bairros de Copacabana, no Rio de Janeiro, e Higienópolis, em São Paulo.

A questão dos gêneros

O fato de que se diga “cuidadora”, no feminino, e não “cuidador”, é um indício claro da construção social dos papéis ditos femininos e masculinos. “Trata-se de uma herança cultural”, explicou a antropóloga social Mirian Goldenberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das palestrantes da manhã de hoje.

Numa vasta pesquisa sobre as relações entre a saúde, o envelhecimento e a questão do gênero, Goldenberg citou algumas descobertas importantes. De acordo com ela, se é verdade que as mulheres morrem mais tarde do que os homens, como já se sabe, também é verdade que, na velhice, quem cuida das mulheres são suas amigas e quem cuida dos homens são as mulheres. “A única categoria social que inclui todo mundo é a categoria dos velhos, os que já são velhos e os que serão velhos um dia”, avisou a antropóloga. O melhor cuidado, disse ela, com a segurança de quem entrevistou 50 idosos em profundidade, “é ter um projeto de vida”.

Em seguida, a geriatra Claudia Burlá relatou suas experiências clínicas com homens e mulheres. “Globalmente, a faixa etária que mais cresce é a faixa acima dos 80 anos”, lembrou Burlá. Ela confirmou que as mulheres, em geral, vivem mais do que os homens. “Mas também são mais frágeis do que os homens e, quando adoecem gravemente, demoram mais para morrer”, explicou.

Na sequência,  a especialista em envelhecimento e professora da Universidade de Montreal, Maria Victoria Zunzunegui, falou sobre a pesquisa que fez sobre as diferenças entre homens e mulheres idosos em cinco cidades do mundo: duas no Canadá, duas na América Latina (Natal, no Brasil, e Manizales, na Colômbia) e Tirana, na Albânia.

Suas pesquisas também confirmaram a maior expectativa de vida das mulheres em qualquer faixa etária, mas apontaram diferenças substanciais entre os gêneros no Canadá e na América Latina. No Canadá, as questões de gênero estão mais bem resolvidas. Homens e mulheres canadenses têm desempenho semelhante nos testes, por exemplo, de mobilidade. Nas duas cidades latino-americanas, porém, o desempenho das mulheres é muito pior. “Há algo relacionado com o meio ambiente”, ponderou a pesquisadora, para quem  as diferenças substanciais entre mulheres canadenses e brasileiras, por exemplo, podem ter causas tanto econômicas como culturais. “Os papéis sociais podem explicar essas diferenças”, destacou.

A programação da manhã foi encerrada com um debate entre os palestrantes, com moderação do médico e gerontólogo Alexandre Kalache, consultor em longevidade da Bradesco Seguros.

Fonte: Segs.

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